15 janeiro 2011
A Arte de Fazer Arte!
Muitos me perguntam qual profissão quero seguir. Respondia, quando pequeno, que queria ser professor de matemática, cientista, astronauta e outras milhões de coisas.
Hoje, quando me repetem a mesma pergunta, sobre o que quero ser, respondo sem pensar duas vezes: Eu não quero ser, eu sou. Ator.
A grande maioria desdenha, diz que eu ainda não sou um ator. Mas, afinal, o que é ser um ator?
Um ator, para mim, é aquele que consegue expressar sentimentos, sem sentir. Aquele que consegue fazer algo além do humano ou fazer do humano, algo irreal.
É aquele que brinca com as expressões e as torna visível, não só para ele como para os outros.
O bom ator, deve ser aquele que consegue chegar a loucura no palco, mas que quando as cortinas se fecham, volta a lucidez.
O ator nasce sim com um dom, mas, quantas pessoas preferem deixar de lutar pelo que acreditam? O ator, não. Ele é o lutador que não se deixa derrubar com qualquer soco da vida.
Eu prefiro acreditar que o ator é aquele que faz escolhas. Aquele que faz seu trabalho do modo como ele acredita. Acreditar no que faz é o que faz um bom ator.
Não basta apenas ter um rosto bonito e uma bela voz. O bom ator consegue ser a coisa mais perfeita, sendo feio. Consegue atravessar florestas escuras e matar dragões sendo apenas humano.
O ator, faz do cotidiano seu palco. Consegue observar as pessoas e fazer com que elas se vejam refletidas no palco.
O público nada mais faz do que observar a si próprio. Todos temos momentos de lucidez e sanidade, fúria e amor. Mas, só o ator consegue passar de um para o outro com um piscar de olhos. Ou até mesmo com uma respiração.
Se transformar e transformar as coisas ao seu redor é o que faz o ator.
Não basta atuar se isso não gerar, ao menos, um sentimento em quem vê. Ou em si mesmo.
Por todos esses motivos, posso dizer que sou um ator. Não porque consigo criar emoções nas pessoas, mas porque consigo expressar aquilo que todo mundo sente. Mesmo que seja tão profundo que apenas o ator consegue expressá-lo. Nós, atores nada somos além do espelho da alma. E do coração de cada Ser Humano.
04 janeiro 2011
Maldita Herança, Cap. 2.
A noite já havia chegado, mas Ricardo ainda estava deitado no seu quintal. Agora observava as estrelas. Desde pequeno gostava de fazer isso, ficar deitado, no silêncio, a cabeça apoiada nas mãos, fitando o céu.
Gostava do estranho fenômeno que acontecia quando se tentava ver a noite chegar. O sol ia ficando mais baixo, o tempo ficando mais frio, mas abafado algumas vezes. A mente vagando por centenas e milhares de pensamentos. Tão absorto em memórias e ponderando tanto que mal era possível perceber quando a escuridão chegava.
Os olhos iam se acostumando com a baixa, lentamente, de luz e quando e de repente aquele dia ensolarado se tornava uma noite fria.
A vida também era assim, para ele. Todos tinham tempos em que o sol brilhava forte, aquecia. E a felicidade e paz iam lentamente se esvaecendo. Caindo do precipício vagarosamente, como em um filme em câmera lenta. E quando percebíamos a realidade, nos deparávamos com a tristeza e o inferno.
O pôr-do-sol era só um lembrete rápido. Um alerta de que alguma coisa estava mudando, tomando formas e direções diferentes. Cabia as pessoas tomarem consciência, antes que a noite chegasse, do porquê toda a felicidade construída estava girando e sumindo, como a água pelo ralo.
Realmente, a noite estava bem mais agradável que o dia.
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