Corpo atlético, rosto bonito, pele morena, uns 17 anos. Lucas, o filho mais velho de Greg e Márcia só dava orgulho para o casal e era o super herói do único irmão, o caçula Gustavo. Tinha notas brilhantes, era muito bem educado e tinha uma incrível habilidade no basquete, esporte que muitos brasileiros não valorizam muito, mas naquela comunidade em que morava era muito praticado. Mesmo com o enorme sucesso com as garotas e os muitos amigos, Lucas colocava sempre a família em primeiro plano, seus pais sempre diziam que os verdadeiros amigos estavam em casa esperando por ele. Ele sempre sentiu um pouco de exagero na expressão que os pais usavam frequentemente, mas eles estavam mais certos do que ele podia imaginar.
Era apenas mais uma quinta-feira, ele foi à escola e já estava em casa. Seu irmão estudava na parte da tarde, seu pai trabalhava o dia inteiro e sua mãe era uma excelente dona de casa. Ele chegou, falou sobre a escola com a mãe, Márcia, enquanto almoçava, tomou um banho e foi para a quadra do bairro com o João, seu melhor amigo. Enquanto jogavam, notou a presença de um homem nada familiar. O homem alto, de traços marcantes, acenou com a cabeça para João que respondeu ao gesto. -Não pode ser um olheiro porque não usa roupas adequadas(para um olheiro).
-Pensou. Mas continuou jogando, deixou para lá. O jogo terminou e João caminhou em direção ao homem. Lucas se sentia muito cansado, mas se sentia bem, o jogo foi bom e ele saiu vitorioso. João o chamou e o apresentou ao homem que não disse seu nome. o Homem por sua vez, apresentou-lhe um pó. Lucas sabia bem o que era, mas não sabia como reagir. Foi para casa atordoado, não falou nada com os pais desta vez e foi direto para o quarto. Dormiu.
Outra sexta-feira comum: voltou da escola e como na quinta foi jogar basquete. o Homem estava lá novamente e continuou indo durante um certo tempo até que Lucas não aguentou a pressão:
- Qual é cara? Seja homem, só uma carrerinha vai?
- Não. Eu não tenho certeza se isso é ser homem.
- Iiih, "tá" com medo é?
Pela sua "dignidade", ele acabou experimentando, nem imaginava que era o início no fim de sua vida.
Daí por diante, aos poucos Lucas foi mudando seu jeito: já não tirava boas notas, estava emagrecendo consideravelmente, era calado, e não tinha mais fôlego para as partidas de basquete. Agora, sua corrida era para sustentar seu vício. Vendeu suas coisas. Roubava a carteira do pai. Traficava. Fazia de tudo para conseguir dinheiro. Sua mãe, desconfiada, já sabia e temia o fim do filho.
Lucas já não tinha o que fazer para conseguir dinheiro e se enrolou em uma dívida. Começou a ser ameaçado, embora não estivesse demonstrando muito ultimamente, ele ainda amava e muito, sua família e não queria perdê-la por um erro cometido por ele. Mas a dívida só aumentava.
Terça-feira à tarde. Agora, Lucas só olhava os garotos jogarem. Cheirou mais um pouco antes de voltar para casa. Não viu Gustavo na porta, o que achou estranho e quando entrou, desejou nunca ter voltado para casa. Seus pais estavam mortos. Um bilhete sobre um dos corpos dizia: -Foi só um aviso, busque seu irmão na escola,e pague a dívida, se não quiser perder toda a família.- Tentou conter o desprezo. Enquanto ouvia a sirene da PM, saiu sem ser percebido e foi com o irmão para a casa de uma tia. Aos poucos, sua vida foi voltando ao normal, a dor era grande, mas ele tinha um irmão para cuidar. Parte da dívida foi quitada. Mas acabou crescendo novamente. Se sentia culpado por tornar seu irmão mais novo órfão tão cedo e em parte, tinha culpa mesmo. Levou Gustavo para a escola e resolveu andar sem rumo para esfriar a cabeça. Acabou se atrasando para pegar seu irmão, mas ao chegar na escola de Gustavo, sua preocupação com o pequeno aumentou.
- O Guto já foi para casa, seu primo o pegou.
- Mas eles nunca buscam ele na escola.
- É tudo o que sei. Vá para casa. Provavelmente, ele estará lá.
Lucas voltou, querendo ver o irmão. Ao chegar, ele estava vivo, " Graças a Deus", ele pensou, mas viu "os cobradores da boca" na sua casa e seu corpo gelou.
-Leu nossa cartinha Lucas?
-Já estou providenciando o dinheiro.
-Queremos agora!
Enquanto um falava, outro esquentava um ferro e encostava nos braços de Gustavo. Lucas chorou pelo irmão, mas não sabia o que fazer, não podia fazer nada. Um deles pegou uma faca, esquentou-a, e começou a cortar desenhando nas costas de Gustavo. Depois apontou uma arma para Gustavo que gritou antes de morrer. Com o irmão mais novo nos braços, Lucas chorava e gritava por uma segunda chance.
Alguém bateu na porta. Lucas acordou desesperado, suado e chorando. Olhou o relógio, 5:30 da manhã, sua mãe estava parada na porta, não entendia o que estava acontecendo. Ela o abraçou com um calor e um amor que só as mães conseguem passar e deduziu que fosse um pesadelo. Disse com uma voz doce:
-Foi só um sonho.
-Não mãe, é minha segunda chance!
Lucas prometeu para sim mesmo que iria se dedicar mais ao basquete. Jogar sem olhar em volta porque o perigo te observa.