Não estou aqui para polemizar, nem para ser bem visto. Simplesmente estou aqui, como você, como todos os outros. Perdendo tempo tentando se encaixar, achando que a nossa verdade não é certa. Achando que os outros são importantes, escrevendo poesias porque acha que entendi alguma droga de amor.
Não quero ser o mais falado, nem o menos falado, não desejo mal a ninguém, não tenho inimigos, não sei nem ao menos se tenho amigos. Vou parar de perder meu tempo tentando fazer as pessoas rirem, porque elas nunca irão reconhecer isso, nunca reconhecem.
Vou parar de me fingir de triste, eles nunca ligarão realmente, jamais ligaram. Só não vou parar de escrever, porque mesmo que ninguém leia isso, eu irei. E voltarei no tempo, e verei que tudo muda, nada é estático. Nem mesmo nossa futilidade e nossa idiotice.
Vou parar de tentar fazer os outros se divertirem, eles não reconhecem. Vou parar de amar, você jamais reconhecera ele.
Oh, pobre e tolo garoto, quem sou eu para falar de amor. Meu mundo é tão pequeno, mas cresce a cada dia, e eu vejo que ele não pode parar, não agora, não enquanto eu ainda vivo. Algumas vezes sinto minhas veias se contraindo e o sangue fluindo mais devagar, tolo, não deveria sentir isso, ninguém senti isso por mim.
Isso que a maioria chama de amor, eu chamo de obsessão. Amor é diferente, não sei como é, não sei explicar. Eu era a pessoa mais obsessiva que vocês podem conhecer, eu desejava a pessoa mais que a minha própria vida, eu queria estar com ela sempre e isso só nos afastava. Ela reclamava que eu não ficava próximo dela o bastante, era que eu estava muito ocupado imaginando nosso futuro, em que sentaríamos, entrelaçaríamos nossas mãos, as alianças nos dedos e sorriríamos um para o outro, lembrando de histórias que vivemos juntos, em que corríamos na chuva, em que eu salvara ela de ser atropelada, de quando ela segurava minha mão no hospital. Idiota, isso não aconteceu, seus devaneios só serviram para acabar com tudo, antes mesmo que começasse.
Eu me arrependo sim, me arrependo de não ter vivido, de ter esquecido que as pessoas não vivem no meu mundo, que as minhas proporções não são iguais para todos, cada um vê o mundo do jeito que deseja, por favor, eu lhes imploro, não julgue as pessoas pelo que você acha certo, eu fiz isso, me equivoquei, não tem como concertar o erro, ele sempre ficará na memória. Mas também não perca seu tempo achando que o futuro dependerá desse erro, ele é só como uma ferida cicatrizada, não doí, mas a marca sempre estará lá.


