30 julho 2010

Silêncio.


Tenho me obrigado durante muito tempo a ser quem eu não queria ser. Mudei minha maneira de pensar, meu jeito de se vestir, fui mais gentil com as pessoas. Isso não adiantou.
Conversei mais, mudei ainda mais o meu estilo, forçei até a minha personalidade, vivi entre uma prisão, para que as pessoas olhassem para mim. Tudo em vão.
De tanto eu fiz, para que fosse uma pessoa mais conhecida, que mais estivesse à frente de todos, mas todos apenas pisaram em cima de mim. Eu fui excluído, forçado a chorar.
A tristeza tomou meu coração, sou o que ninguém quer saber, de fora.
Então eu me calei, usei a rigidez em minhas palavras, fui rude, um imbecil, simplismente deixei o silêncio me tomar.
Mudei bruscamente minhas roupas e minha maneira de falar. Eu já estava a ponto de quase não existir.
Transformei o que era preto, em branco, pelos outros, por quem não merecia.
Sempre me disseram: "Felipe, larga de ser assim, tão idiota!", ou "Porque você é assim? isso é desnecessário!" e até mesmo "Você é burro!".
Sempre me deixei levar pelo que os outros dizem. Sempre me conformei com o que os outros me disseram, nunca me dei uma opinião que me ajudasse a ser alguém melhor.
Até que um dia, recebi um apoio, um pequeno aviso, de um amigo que se importou comigo: "Você não pode deixar que os outros façam isso com você! Você deve fazer as coisas pelo seu próprio bem, pensar em seu bem-estar!".
Nunca tentei mudar, eu sempre fui um teimoso. Mas então eu decidi que iria mudar, que precisava mudar.
Pensei um pouco mais em mim, tomei meu conforto em primeiro lugar.
Logo depois disso, automaticamente aprendi a ser mais amado, e pessoas passaram a me enxergar. Porque eu me valorizei, porque eu dei conta de mim, e esqueci um pouco do que os outros falavam.
Agora eu posso sim dizer que sou feliz, e não deixar que o silêncio me consuma aos poucos. Pois agora eu sou uma pessoa muito melhor, e realizei o que eu mais queria.

- Em minha vida, houveram muitas pessoas que me ajudaram a caminhar para frente. O Léo me ajudou muito de uns tempos para cá. Obrigado por ser um grande amigo.


29 julho 2010

Preocupações Desnecessárias.


Por que  sou tão tolo? Por que eu ainda me preocupo? 
IDIOTA!
É isso que eu sou. 
Quanto mais eu procuro não ligar para as pessoas, mas eu me preocupo.
Você não aprende Leonardo? 
Parece que não. Por mais que a vida me bata e que as pessoas digam que eu não sou bom o suficiente, eu não aprendo. Continuo amando-as e querendo o bem delas como antes. 
Isso não é certo.
Eu sei, mas meu inconsciente não. Cada dia que procuro fazer as pessoas sorrirem, elas insistem em olhar para mim com a cara mais horrenda que se possa imaginar.
Quanto mais eu amo essas pessoas, mas elas insistem em me dar ódio e desdém.
Por quê?
Minha vida é cheia de "porquês" e parece que eles nunca terão suas respostas.
Eu fico me preocupando com pessoas que nunca entenderão o porquê de eu me preocupar com elas.
As pessoas reclamam tanto que os garotos estão tão fúteis ultimamente, mas quando veem um garoto que realmente se preocupa com as coisas, os tratam com tanto ou até maior desprezo como tratam os idiotas fúteis.
IDIOTAS FÚTEIS?
Não sei se são idiotas ou inteligentes. Se você faz o certo, reclamam. Se você faz errado, reclamam.
Querem o quê?
Eu continuo tendo essas preocupações desnecessárias. Mas eu não vou ficar aqui sendo só mais um idiota. Talvez não mude. Mas vou morrer tentando!


27 julho 2010

Realidade.


O mundo é uma realidade que não satisfaz, é terrível, escuro. Infelizmente estamos vivendo os tempos que aos poucos está se desfazendo para tristeza.
Guerras acontecem por todos os lados. O mau está em toda parte, e não temos muito o que fazer.
O homem a cada dia que passa está se transformando em um monstro, que destrói, que esfola, e acaba com a alegria dos humanos. Onde estão as respostas para esses acontecimentos?
Isso tem muito a ver com o que as pessoas vivem, ou até mesmo no que elas fazem. Se ele pensa, tem consciência dessa situação.
Eu tive muito tempo para pensar em tal situação, por isso eu choro e rio intensamente, porque esta é a minha saída, é a minha maneira de ajudar. Se você não vive feliz, nada de que faça valerá a pena. Se você não chora, como pode entender um choro alheio?
O mundo é uma corrida, no qual corremos para nos sentirmos melhores, cada dia mais. Ninguém é monstro, ninguém é santo. Mas todos sim podem fazer a diferença.
Onde está a dignidade? onde está a paz?
Às vezes, eu corro porque simplismente eu acho que tudo ficará bem, mas sempre lá fora, há algo terrível, que não posso me esconder.
O mundo é uma realidade fria, e está cada vez mais difícil viver nela. Por isso eu digo, a realidade não me basta.
Então eu vivo numa ilusão, porque meu próprio mundo é o meu refúgio da realidade malígna. Porque o meu mundo não mata, não destrói, e sim, me ajuda a ser uma pessoa melhor.

24 julho 2010

Fotografia.

Chovia muito naquele dia, o suficiente para tornar o dia um tanto depressivo. De qualquer jeito a dor não foi embora. Ela sempre permaneceu ali, como uma companheira fiel.
Eu segurava o choro todas as vezes que via aquela imagem. Olhar para a fotografia dela era sufocante. Eu não sabia como lidar com a dor — mesmo com ela se tornando cada vez mais normal.
Eu estava deitado na minha cama, o sono não chegava, a imagem dela não fugia de minha cabeça. Eu estava a ponto de acabar com tudo naquele mesmo momento, mas eu sei que nada disso valeria a pena.
Eu me levantei lentamente, e desci para a sala, sem esperança alguma. Logo que cheguei tomei um susto por pensar ter visto ela ali, sentada no sofá assistindo ao seu programa favorito como todos os dias. Será que estou louco?
Me aproximei e me sentei ao seu lado, ela sorriu para mim. E linda como sempre, me encantou.
Lutei para que sua imagem permanecesse ali por mais tempo, mas em um piscar de olhos, minha felicidade se abalou, ela já não estava mais ali. Eu já devia ter colocado em minha cabeça que ela não está mais viva. Mas cada vez que eu a via, parecia ser ainda mais real, não me conformo que algo tão bruto pudera ter acontecido com ela. Eu sinto a falta dela e se pudesse, iria em seu lugar.
A perda dela me faz cada vez mais quebrado, me sinto cada vez mais morto por dentro, a tristeza me consome a cada vez que penso nela.
Enquanto os sentimentos se abalavam, observei a sala vazia, que sem sua presença se tornava como preto e branco. Aquele perfume de lavanda — que ela tanto gostava — já não tinha mais graça em sua ausência. 
Fui até o banheiro e liguei o chuveiro. Entrei ainda vestido, o frio era enorme, mas não evitei o banho de água fria para esquecer um pouco a dor. Mas tudo em vão.
Eu saí tremendo, ainda todo molhado e vestido, fui em direção ao espelho, as lágrimas camufladas pela água que ainda restara em meus rosto desciam rápidas como se pesassem quilos. 
Minha imagem não era mais a mesma diante do espelho.
De repente a raiva se tornou em uma explosão, não me contive e lancei minha mão cerrada com toda a força ao espelho. Os pedaços caíram lentamentes, como em câmera lenta, eu estava mais que transtornado, eu estava apavorado. Enfim acabei me entregando ao choro. 
A tranquilidade retornou lentamente, então eu me joguei ao chão e permiti que os pensamentos se esvaíssem. Todas as lembraças se foram aos poucos, mas sequer irá afastar a tristeza que há dentro de mim. Senti um alívio muito grande e comecei a relaxar. Então meus olhos se fecharam e permaneci em meu descanso ali mesmo, molhado, com minhas mãos derramando sangue e deitado entre cacos.
Mesmo depois de quatro anos longe de querida mãe, as feridas nunca se curam, e sua imagem, era o meu medo, mas de qualquer maneira, seu amor estará gravado em minha mente como uma fotografia, e eu sei que lá estará sempre segura, onde nada nem ninguém pode apagar.
 
Enviado por Felipe.

22 julho 2010

Sobrevivendo.

Antes mesmo que eu conseguisse ver alguma coisa naquela multidão, eu podia ver meu rosto. Ele se contorcia e os meus olhos suplicavam por alguém. Mas eu não tinha ninguém.Eu estava só na multidão.Eu passei anos da minha vida sendo sempre o foco de tudo e todos sempre se preocupavam com o que se passava comigo. Isso já não acontecia mais.Minha luz se apagara, ou melhor, ela começou a iluminar todo mundo. Eu fui mandada para fora desse lugar, fora desse mundo.Antes eu era diferente pelo meu rosto bonito ou pelo meu sorriso, agora era diferente porque não me encaixava em nenhum desses papeis e ninguém jamais quis me amparar. Eu sabia que não estava vivendo, simplesmente sobrevivia. Sobrevivia para um dia poder viver. Essa era a única coisa que me fazia ainda respirar.Talvez um dia eu possa mostrar para todo mundo que sou mais do que eles podem ver, mas isso não me importa muito. Eu me sinto forte pelas coisas que passei e o modo como sobrevivo às provações. Se um dia eu cair, cairei porque não fui forte o bastante, não porque eu não quis ser forte. Porque simplesmente não fui.Agora eu ando por ai sem nunca ser notada, ou não do modo como eu gostaria. Ou como deveria. Eu sinto falta de alguma coisa em mim no passado que eu sei que nunca voltará. Eu nem sei muito bem o que é. Mas eu acho que deve ser algo parecido com auto-estima. Não que hoje eu não a tenha, mas ela está escondida dentro de mim e a cada vez que tento encontra-la, sempre há algo que me impedi.Não sei se um dia a alcançarei, mas eu vou lutar, enquanto eu sobreviver eu vou lutar, mesmo que todos digam que eu não irei conseguir, vou lutar.Por mais que meu mundo desabe, vou lutar. Eu só quero ver o sol e saber que eu mereço aqueles raios esquentando minha alma.Se um dia eu não conseguir, novamente viver. Pelo menos sobrevivi. E é isso que importa, estou aqui. Dando a cara a bater, enfrentando os problemas, as criticas. Pois o que importa realmente não é aonde chegar e sim como chegar.

21 julho 2010

Depressão


Eu pensei que poderia me livrar da dor. Pensei que houvesse alguma maneira de sufocar o sofrimento sem que ele me sufocasse também.
Mas eu entendi que nem tudo é do jeito que todos nós pensamos. Entendi que o mundo não é um jogo e que eu não sou um fraco. 
Mas agora eu levo a tristeza comigo, e agradeço por ser forte, e suportar a dor.
Mesmo assim em carência eu choro, com a esperança de um "final feliz". Suplico cada dia por algo que não existe. Talvez uma grande ilusão.
O que há de errado em mim? O que eu preciso mudar para ser mais feliz? O que me impede?
Eu não sei, nunca soube e muito menos saberei. Porque a vida é um mistério. No qual nenhum ser terá a chance ou muito menos a glória de desvendá-la.
Por muito tempo escrevi cartas para o nada. Mas eu não disse nada, pois só o socorro me basta. Mas nunca ninguém se manifestou, nem pelo menos para dizer alguma coisa que me confortasse. E eu tive medo, mas um enorme medo, entretanto ninguém me ajudou. Agora sou eu perdido no mundo, e mais nada.
Amei tudo e todos, pois esta era a minha única saída e minha única esperança de viver no meu mundo com a dor, sofrimento e causa.
E se eu chorar, quem irá enxugar minhas lágrimas? Ninguém. Se eu chorar, quem vai me acalmar? Ninguém. Isso porque eu sempre vou estar perdido no meu próprio mundo no qual eu procuro a felicidade. Pois cada dia é uma grande corrida para um mundo melhor.
 
Enviado pelo grande Felipe que é meu grande amigo e colega de sala.

19 julho 2010

Papel.


Eu nem ao menos sei
De onde tiro inspiração
Para o que
Escrevo.

Talvez seja
De tudo que vivi
Vivi muito, já esqueci
Ou se são os meus medos.

Eu tenho medo
De temer
Eu tenho medo 
De não poder escrever

O papel
É meu maior amigo
E eu que sufocaria
Se este não estivesse comigo

Só com ele posso 
Dizer o que sinto
Só pra ele conto histórias
E nunca minto.

Para muitas pessoas 
O caderno é coisa a toa
Um monte de linhas
Talvez isso seja coisa minha

Mas sou eu que escolhi
Não ter para quem contar?
Aquilo que vivi
E o que me faz gritar?

Não! 
Então, só me resta o papel.
Meu pedaço de céu 
No inferno.

18 julho 2010

Escuridão.

Desliguei o telefone e deitei-me na cama fria. Aquelas palavras ecoavam pela minha cabeça e eu gritava para que isso fosse só um pesadelo. Eu podia ver aquele semblante mesmo no escuro.
Eu podia ver seus lábios se movendo enquanto ela dizia aquilo que eu não queria ouvir. Meu mundo desabara.

Eu não vou voltar mais.

Você nunca mais vai me ver.
Fique tranqüilo isso passa.
Sempre passa.
Ela realmente nunca entendeu o que eu sentia, mas não foi por falta de demonstração. Talvez seja porque a alma dela estava tão escura que ela não podia ver nem mesmo o que estava na frente do seu nariz. E o amor que eu sentia por ela estava mais perto que isso.
Eu não enxergava nada, não que se a luz estivesse acesa eu enxergaria. Eu não via um futuro, eu não via uma solução. Eu estava perdido e a luz no fim do túnel era tão resumida.
Diferente de tudo que eu já vira, quanto mais eu caminhava pelo túnel mais longe a luz ficava, mas difícil era alcançar os raios do sol naquela escuridão.
Mas agora era tarde.
As pedras que a cada vez mais, lentamente, fecharam a única saída. Eu estava totalmente preso e no escuro.
Eu iria definhar ali sem que ninguém nem ao menos pudesse me ouvir, eu iria definhar ali sem que ninguém pudesse nem ao menos me ver.
Ela nunca soube que esse sentimento fazia parte de mim, mas mais do que isso eu fazia parte desse sentimento. E se ele acabasse, eu acabaria. Ela nunca entendeu o que era isso, ela nunca amou.
Mas mesmo assim eu fui ingênuo o bastante para acreditar que um dia isso pudesse acontecer. Eu estava cego.
Eu sempre estive cego, só agora podia ver a dimensão onde eu vivera todo esse tempo. Eu estava confuso, não sabia se foi melhor saber o que estava acontecendo ou viver para sempre na ignorância. Eu estava perdido e sabia que nunca mais me acharia.
Essa escuridão nunca iria ter um fim.

17 julho 2010

O Tempo Não Pára.



Eu apenas trabalhava minha mente em dois segmentos. Meu hoje e meu amanhã. Eu sabia que as coisas tinham mudado, tomado um novo rumo. Eu precisava o quanto antes recuperar aquilo que eu havia perdido, afinal, o tempo não pára para você arrumar sua vida. Não existem contestações contra o tempo. Ele simplesmente corre, não importa se você está atrasado, se precisa recomeçar tudo outra vez, se precisa de tempo para pensar, colocar tudo no lugar. Se você não usa o tempo a seu favor, ele só servirá para envelhecer, amargurar sentimentos, distanciar gerações, separar pessoas, apodrecer coisas. Deixa que tudo se torne antiquado, desusado, esquecido. Faz com que tudo se torne velho, inútil, utópico.

Porque essa história de que o tempo cura tudo, é uma grande mentira. O tempo só desloca o incurável do centro das atenções. O tempo é a pior coisa que pode acontecer se você esquecer que ele existe.  E tudo isso não poderia acontecer comigo. Eu tinha que fazer o tempo me deixar mais forte, mais corajosa, mais preparada, menos idiota, menos iludida, mais esperta, mais realista, e fazer com que ele me mantesse com os pés no chão. Não haveria mais tempo pra  recomeçar.
Eu estava disposta a renascer. Havia muitas coisas na vida que eu ainda não entendia. E para isso, eu precisava de tempo. Um tempo só, para mim mesma.

Enviada por: Rebecca. Que é escritora e tem 16 anos. Logo seu livro "Entre Outubros" estará em todas as livrarias.

Envie também o seu.

À Nostalgia.


"O fato de sermos habitados por uma nostalgia incompreensível seria mesmo assim o sinal de que existe um além." Eugène Ionesco

"Nostalgia é saudade do que vivi,melancolia é saudede do que não vivi." Carlos Heitor Cony

"Na verdade, a filosofia é nostalgia, o desejo de se sentir em casa em qualquer lugar." Friedrich Novalis

"Chorar a dor do amor! É chorar de alegria
É lavar o coração com a doce nostalgia." Ducarmo de Assis

"A nostalgia bate, porem traz a alegria do momento." Monny Carvalho
"Ao amanhecer do dia olhamos para o horizonte com amor. Ao cair do dia olhamos pra trás com nostalgia." Stephen King

16 julho 2010

Vazio.



Sinto um vazio 
Que jamais será preenchido
Sinto um vazio
Tão grande e indefinido.

Sinto o vazio corroer
Cada dia mais minha alma
Sinto o vazio que me atormenta
E me acalma.

Esse vazio que parece
Nunca ter fim
Por mais que tente lutar
Enfim.

Vai sempre estar aqui
Só quando você voltar
Eu vou sorrir
Isso vai acabar

Eu preciso acreditar.

15 julho 2010

Soneto à Jannz.


Se eu pudesse
Pediria você
Se isso não fosse possível
Pediria para te esquecer

Mesmo duvidando que isso acontecesse
É difícil de dizer
Meu amor é indestrutivel
Não só enquanto eu viver

Eu choro
Eu grito
Eu imploro

Eu melhoro
Eu limito
Eu pioro.

14 julho 2010

Nunca notou.


Isso vai ter um fim
Isso vai acabar
Vai se esquecer de mim
Mas você nem vai notar

Você não está aqui
Está em outro lugar
O mundo pode cair
Você nem vai notar

O tempo passa
E você não nota
Enquanto eu vivo
Você está morta

Morta pois não tem mais emoção
Morta porque seu coração
Se esqueceu de bater
E você nem notou

Ele veio a morrer
E você nem notou

Agora preciso lhe dizer
Para você se lembrar
Não desisti de você
Não desisti de lutar

Mesmo que você tenha esquecido
Eu não esqueci
E só vou esquecer
Quando não poder mais olhar para ti

13 julho 2010

Sufocando.


É tão estranho como minha mente de repente se fecha, e nada flui. Eu não consigo pensar em nada, há um turbilhão de coisas para pensar que chego a não pensar em nada.
Sei que muitas vezes devemos parar no silêncio e pensarmos, mas não há como fazer isso, porque todo momento há pessoas ao nosso redor gritando que você está errado.
Porque será que todos querem ler pensamentos? Eu não sou um desses.
Eu queria que as pessoas pudessem ler minha mente, ver cada pensamento, para poderem ver o que sinto, o quanto amo e sofro por cada um.
Verem que não faço as coisas porque simplesmente sou egoísta, mas porque não quero fazer as outras pessoas infelizes. Eu não queria poder ver o que eles pensam de mim, só queria que eles pudessem ver o quanto eu os amo e o quanto sou sincero ao dizer que eles são minha vida.
Eu preciso ficar sozinho, eu preciso respirar.
Não consigo mais ver os olhos de reprovação das pessoas, elas nunca sabem o que eu passo.
Pode ser insanidade minha, mas de repente sinto o mundo se fechando, me sufocando, eu grito e ninguém me escuta.
Acho que se todos pudessem ver o verdadeiro Leonardo, eu não estaria assim.
Às vezes há coisas que são mais fortes que o amor, o amor é fraco.
Nos deixa fracos, os problemas se aproveitam disso.
Eu queria tanto que as pessoas vissem o que eu penso, por trás de cada ação e vissem que eu faço tudo pelo bem delas.
Sei que mudei muito, eu era tolo.
Acreditava no paraíso, em anjos e afins. Acreditava na mentira. Hoje acredito no meu potencial.
Há o ato e a potência: Ato é tudo aquilo que fazemos, o que já realizamos. A potência é o que podemos fazer, é nisso que eu acredito.
Eu sei que muitos acham que o que eu faço ou o que eu fiz é errado, mas só eu sei do que sou capaz de fazer.
Eu quero que as pessoas vejam o que eu vejo, eu queria que elas vivessem o que eu passei. Na verdade não queria, não desejo isso a ninguém.
Ninguém faz ideia de quem eu sou, ninguém imagina o que eu passei.
As lágrimas rolaram enquanto escrevia, por que é tão doloroso? Por que eu não podia simplesmente ignorar como todo mundo faz? Por que eu tenho que ser tão sensível ao que acontece? Por que eu vejo tudo que acontece ao meu redor de uma maneira que ninguém vê?
Preciso tanto das pessoas, mas também preciso tanto me entender.
Eu nunca fui perfeito, mas a perfeição não é humana.
Sou o verdadeiro humano, que ama, erra, chora, grita, sorri.
A maior imperfeição humana, é a perfeição. Logo a maior perfeição humana, é a imperfeição.
Se fossemos perfeitos, não seriamos humanos.
Achava que não era humano, mas o Homem é tudo isso que eu sou. O Homem nunca fez tudo que as pessoas queriam, fazia o que achava ser real.
Não faço as coisas erradas, querendo errar. Erro tentando acertar.

O banco.


Não demoraria muito para eu chegar em casa. Descia pela rua que cruzava o bairro onde eu morava. Estava frio e o vento gélido fazia meu nariz arder. O céu estava negro como meus cabelos — a chuva não iria demorar para cair — e isso parecia-me bom.
Quando faltava poucos metros para eu chegar — enquanto estava passando pela praça que era o local de diversão das crianças e jovens, uma forte chuva começou a cair do céu.
Ali naquele lugar estava ele, agora todo ensopado o banco que sentava juntos com os meus amigos na infância. Onde ficávamos soltando pipa. Foi ali meu primeiro beijo, foi ali que eu conheci a única mulher da minha vida.
Eu sentia falta daquilo. Da chuva no rosto e de me sentir vivo. Não havia muito tempo que ela se fora e eu ainda podia senti-la aqui. Viva na minha respiração e nas batidas do meu coração.
Eu sentia sua falta, mas sempre soube que ela estava comigo.
Não demorou muito para que as lágrimas se misturassem com a agua que caia do céu. 
Eu sabia que essa felicidade que sentia agora iria evaporar-se, como essa chuva quando o sol nascesse no outro dia.
Ela estava ali comigo, sentada naquele banco. Sorrindo para mim como sempre fizera. 
Eu comecei a girar e cantar nossa música. Ninguém podia me ouvir, os trovões estavam tomando conta de qualquer outro ruído. 
Até aquele momento eu não gostava de vir aqui, aquele banco me trazia lembranças que eu preferia esquecer. Agora ele me mostrava que eu preciso me lembrar, eu preciso me sentir vivo. Eu tinha sangue que corria pelas minhas veias. E eu tinha ela mesmo que eu nunca mais veja seu semblante a não ser quando eu dormisse e sonhasse.
Ela dava vida para aquele banco preto. Para as paredes brancas das casas, para os postes negros que agora estavam acesos.  Ela dava vida as folhas secas no chão. Ela dava vida a mim. 
Eu a tinha e ela sempre soube que ela sempre me terá.

12 julho 2010

Reflita.


Um coração pode se apaixonar de novo, mas mesmo assim as cicatrizes sempre estarão ali. 

Mesmo que a noite seja gélida o sol sempre estará lá para nos aquecer.
As lembranças nem sempre são boas, mas nos mostram que já vivemos muito.

Mesmo que tentemos nos esquecer elas voltaram. Mesmo que tentemos nos esconder elas estarão lá para nos lembrar. As lembranças sempre estarão lá para ajudar a viver.

Somente os anos são capazes de nos mostrar o quanto é bom viver.

O amor não é só mais um sentimento ele une todos eles.

Não existe amor se não houver razão. Sem mente é aquele que nunca amou. 

Mais importante que os 'eu te amo' é o silêncio que se perdura depois dele.

Todas essas frases são minhas, toda semelhança com outras será mera
coincidência.

Diferente


Somente se eu fosse totalmente incoerente com o que penso, conseguiria não perceber o modo como as pessoas me olham e me difamam. Só porque sou diferente.
Mas por que sou diferente? Eu escolhi ser assim? Ou simplesmente isso não é o acumulo de todas as coisas que eu vivi?
Talvez seja melhor eu me calar — pessoas assim vão morrer ignorantes — nunca saberão realmente quem eu sou.
Julgam-me pelo meu cabelo ou pelo que visto. Nunca procuraram entender o que eu penso ou como me sinto — aparência conta mais — tudo bem então.
Às vezes tenho vontade de gritar. Dizer quem eu realmente sou — não sei se eles me acharam mais “decente” ou me acharam mais louco.
Meu grito é sufocado por essa sociedade que parece pensar menos que um neandertal.
Eu sou diferente sim, mas sou diferente porque me preocupo com o bem-estar das pessoas — as mesmas que atiram pedras em mim — eu me preocupo com o mundo. Não sou fútil. Talvez por isso que todos me criticam — se eu não ligasse para nada disso e estivesse mais interassado em futebol do que nas artes, eu não seria visto dessa forma. Mas eu não sou culpado.
Eu talvez não seja o melhor filho, mas mesmo assim sou um filho. Não sou o melhor escritor, mas isso se explica pelo fato de eu tentar expressar em palavras aquilo que sinto. Esse é o problema o que sinto é muito complexo. Complexo demais para essas pessoas com mentes pequenas.
Eu sou diferente! Eu sou feliz por isso, a mesmice não me atrai. Porém isso acarreta problemas. Mas é um preço que se paga por não ser hipócrita.

11 julho 2010

Nostalgia.



 Já passava das três da manhã e eu não dormira. A insônia insistia em me deixar acordado.
Não que eu gostasse de dormir, os pesadelos a noite eram piores que ficar com os olhos inchados de manhã e parecer um zumbi.
Fui até a cozinha e lá estava ele deitado, meu Lucke. Era marrom e tinha os olhos mais grandes e bonitos que eu já vira — Meu cãozinho Lucke — Agora dormia e eu podia ver seu corpo gordo se movendo com a respiração difícil — A idade que nós tínhamos já causava esses problemas.
Abri a porta da geladeira e tomei o leite na caixa mesmo. Estava frio como a noite que fazia lá fora. O inverno aqui não era tão rigoroso como em outros lugares do mundo, mesmo assim eu sentia falta do sol.
Voltei para o quarto e deitei-me disposto a dormir. Fechei os olhos e tampei a cabeça com o travesseiro. Mas não adiantava. Nunca adiantava.
Sentei-me de novo. Estava cansado, mas minha mente se negava a parar. Eu me sentia só.
Liguei a luz e fitei minhas mãos, as rugas tomavam conta dela. Talvez não estivessem ali se não fosse todas as provações que enfrentara durante esses últimos anos.
Eu não tinha ninguém. Eu só tinha a mim mesmo — mesmo não gostando do que eu via ao olhar-me no espelho — e Lucke.
Eu até estranharia se essa nostalgia não se repetisse todo dia. Mesmo depois de queimas as fotos da mulher que mais amei — e que hoje não estava mais aqui — mesmo sem nunca ter visto seu rosto, ainda ouvia sua voz. As palavras nostálgicas que não saiam da minha cabeça.
Eu sentia falta daquele passado — mesmo que hoje eu preferisse que nunca tivesse existido — eu não sofreria tanto.
Ajoelhei no chão e comecei a chorar, gritava de dor. Não demorou muito para que Lucke viesse até o quarto. Ele olhava-me agora não com espanto, mas com compaixão — ele já estava acostumado — era rotina. Eu o abracei e ele lambeu meu rosto.
— Lucke obrigado por estar comigo. Eu não estaria aqui sem você — disse eu entre os soluços.
Eu precisava dele e daquele rosto de idiota que ele tinha. Lembrava dele correndo pela casa. Juliet ficando louca quando ele deitava no seu sofá e eu rolando com ele pelo jardim — depois ouvíamos Juliet brigando conosco por destruirmos seus crisântemos — era um preço que tínhamos que pagar.
Quanta falta me fazia Juliet. Minha Juliet.
Eu podia senti-la. E não sabia se isso era bom ou ruim.
Eu não queria esquecer das nossas risadas, das nossas conversas sobre coisas idiotas. Quando ela olhava nos meus olhos e sorria. Quando eu dei à ela o Nosso Lucke — ele nunca foi meu, ele era nosso.
Eu só não queria ter que lembrar que isso não voltaria. Eu nunca mais seria completo. Nem mesmo o Nosso Lucke. Éramos um trio, mas a pirâmide perdera sua base e agora caíamos cada dia mais.
Era só questão de tempo, até que nos encontrássemos de novo.
Enquanto isso eu ficava com a nostalgia.
Naquela noite dormi no piso frio — eu e Lucke — enrolados com o cobertor que ainda tinha o cheiro dela. Como costumávamos fazer quando ela ainda estava viva.
Ela continuava viva dentro de cada respiração minha e de Nosso fiel amigo.



10 julho 2010

O Casulo.

Exausta do dia estressante na faculdade, ela se levantou do divã suíço que a mãe comprara a menos de um mês, bem devagar com pesar de ter de sair do confortável estofado do sofá.
Caminhou até as escadas, a qual era cortada ao meio por um carpete azul da mesma tonalidade do sofá. Subiu-as lentamente — segurando no corrimão — o corredor logo à frente tinhas três portas, o quarto de hóspede bem a frente no fim do mesmo, à direita a grande suíte dos pais de Megan e a esquerda seu quarto. Os outros aposentos ficavam no terceiro andar.
Ela pegou a chave no bolso do jeans caro. Abriu a porta de madeira amarelada.
O quarto todo em vermelho e branco abrigava uma grande cama de casal — Mesmo que ela fosse sozinha — com a cabeceira toda banhada a ouro. A veneziana branca deixava entrar boa parte da luz do dia quente que fazia lá fora.
À sua esquerda duas portas, a do closet e a do banheiro. Ela abriu a do banheiro. Despiu-se. Olhou-se no espelho de parede inteira.Viu a tão famosa Megan Smith, a jovem de seios fartos — que era alvo do anseio dos garotos — e de inveja das meninas.
Fitava o cabelo castanho que caia até o busto, os olhos âmbar parecia brilhar mais do que o próprio sorriso branco. Apesar de todos a acha bonita — ela não. Trocaria toda sua aparência e seu dinheiro por apenas uma vê alguém ver a verdadeira Megan e ouvir o quanto sua alma gritava por alguém.
Seus pais não a ouviam — nem mesmo paravam na casa ou paravam no país. Não tinha amigos. Só uma coisa nunca a abandonava — a falsidade — disso ela estava rodeada, pessoas querendo seu dinheiro ou um pouco da sua fama ou da luxúria que girava entre suas idas aos bailes fúteis da escola ou ao almoço dos “amigos” de seus pais — mesmo que ela soubesse que virando as costas eles iram defamar o casal que acabara de sair pelas portas.
As lágrimas rolaram por seu rosto.
Ela queria poder algum dia gritar para que todos a ouvissem e vissem a carente pessoa que existia por trás daquele casulo.

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Pressa.




Se corrêssemos tão rápido quanto a luz ou voássemos como um pássaro, talvez não iríamos querer andar por essas ruas sujas. Se pudéssemos ler pensamentos ou pudéssemos rir sem motivo, não choraríamos ou choraríamos ainda mais.
Se conseguíssemos parar por um momento e olhássemos ao nosso redor perceberíamos somente vultos de pessoas correndo.
Pessoas que falam ao celular para economizar tempo, olhando no relógio para que possam saber se chegaram logo no seu destino. Mesmo que eles nunca tenham um destino, estão sempre andando, falando ou pensando.
Não paramos. Temos pressa. Pressa de amar, pressa de pensar, pressa de sorrir e até mesmo temos pressa de viver.
O tempo não tem pressa, sempre estará igual ali. Temos que parar de tentar correr na sua frente. Temos que deixar que o tempo passe e deixe passar. Passar as dores e as angústias e até mesmo a vida.
Se não pararmos, continuaremos não percebendo o que há a nossa volta, não veremos as pessoas. Não veremos a nós mesmos.
Tente passar por um espelho correndo, veremos somente o vulto, mas nunca veremos nossa expressão, nunca veremos o que está escrito nos nossos olhos.
Precisamos parar de ter pressa. Precisamos amar o tempo. Viver cada minuto como se fosse o último, intensamente, mas sem deixarmos de viver.
Pessoas correm e não vão a lugar algum. Pessoas falam e não dizem nada. Pessoas amam e não sentem nada por ninguém.
Não param para olhar para o céu ou o sorriso de uma criança. Não param para olhar a si mesmo e aos outros.
Enquanto corremos ficamos sempre no mesmo lugar.